Sobre

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Se a acentuada violência contra mulheres e pessoas LGBT+ no Brasil é problema amplamente conhecido, os dados por trás do fenômeno costumam ser acessíveis a poucos. A possibilidade de aproximar a população de números e informações que ajudem a aprofundar a percepção sobre esse cenário moveu a criação do Mapa da Violência de Gênero. Em formato interativo inédito, a plataforma disponibiliza séries históricas das duas maiores bases de dados sobre violência do país – a do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM/DATASUS), de 1996 a 2016*, e a do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), de 2014 a 2017. As múltiplas possibilidades de pesquisa a partir desse enorme volume de dados são acompanhadas por textos e visualizações sobre cada uma das 27 Unidades Federativas.  

Até então manuseados principalmente por pesquisadores ou jornalistas dispostos a percorrer o caminho de solicitação via Lei de Acesso à Informação (LAI), os dados estatísticos oficiais mais importantes e abrangentes sobre violência distribuídos por sexo (feminino e masculino) se reúnem, aqui, ao alcance de qualquer pessoa interessada em se informar sobre o tema.

Além das buscas comparativas para homens e mulheres, fundamentais para a compreensão das diferenças da violência quando aplicada a perspectiva de gênero, também é inédita a reunião do conjunto de variáveis apresentadas, como faixa etária, local da morte e meio empregado. Apesar de disponíveis na base do SIM, em geral esses são dados pouco divulgados. Ao disponibilizar também informações sobre autoria do crime, relação da vítima com o agressor e encaminhamento judicial do caso, essas fornecidas pela base do SINAN, é possível desenhar, com detalhes, a trilha de diferentes tipos de violência praticados contra mulheres e população LGBT+. As especificidades deste último grupo são abordadas em seção que destrincha os dados referentes a cada região, oferecendo uma leitura mais abrangente sobre as violências que acometem essa minoria. Já a seção Leis convida a conhecer a produção legislativa sobre o assunto para além daquelas que significaram importantes marcos nacionais, como a Lei Maria da Penha (2006) e a Lei do Feminicídio (2002). No levantamento estão destacados os mecanismos legais estaduais com efetivo potencial de impacto na proteção e acolhimento das vítimas e punição dos agressores.

As fragilidades na coleta, produção e divulgação desses dados no Brasil são outro foco de atenção do Mapa. Enquanto a subnotificação de algumas violências, como o estupro, e a ausência de dados sobre identidade de gênero são problemas já notórios, outras lacunas, como a falta de tipificação dos crimes de gênero, se revelam impeditivas para a análise de pontos críticos, como a escalada dos crimes de feminicídio no país. Identificados esses gargalos, o levantamento se concentra em apresentar dados de violência segmentados por sexo, que revelam quais tipos de violência recaem mais sobre cada grupo. Com a proposta de fortalecer a sistematização e padronização dos dados de violência contra mulheres, um grupo de trabalho formado pela Gênero e Número, ONU Mulheres e Artigo 19 abriu diálogo com o Conselho Nacional do Ministério Público para discutir as debilidades do Cadastro Nacional de Violência Familiar e Doméstica contra a Mulher, um dos principais instrumentos para a coleta desse tipo de dado. Os detalhes dessa frente de trabalho do Mapa podem ser conhecidos na página Incidência

Em média, na última década foram assassinados por dia no Brasil 131 homens e 12 mulheres – dentre elas, as mulheres negras são as maiores vítimas. No ano de 2017, se registraram 73 estupros a cada dia; 90% deles vitimaram mulheres. Ainda que as estatísticas aterradoras se repitam a cada ano, nunca será aceitável naturalizar esse quadro.

Sobretudo por esse motivo nasceu o Mapa: para denunciar e exigir a produção de dados cada vez mais qualificados, que apoiem o avanço de políticas de prevenção e enfrentamento à violência. Nesse percurso, o acesso à informação e a reflexão crítica são ferramentas indispensáveis no combate à barbárie.

* Em breve serão incluídos no Mapa da Violência de Gênero os dados publicados recentemente pelo SIM, referentes ao ano de 2017

Créditos

Realização

Gênero e Número

Apoio

ALTEC

Fundação Ford

Coordenação 

Maria Lutterbach

Metodologia e coordenação de pesquisa

Wânia Pasinato

Levantamento e análise de dados

Natália Leão

Edição

Carolina de Assis

Conteúdo e Incidência 

Lola Ferreira

Organizações parceiras – Incidência

ONU Mulheres

Artigo 19

Identidade visual e visualizações

Marilia Ferrari

Grafos

Lucas Teixeira

Coordenação de desenvolvimento web e UX design

Steffania Paola

Desenvolvimento web

Miguel Soares

Comunicação

Thais Zimbwe

Tradução – Espanhol

Gabriela Figueiredo

Financeiro 

Rafaela Manhães

Servidor

Digital Ocean